Baker Tilly nos Media | Artigo Região de Leiria

25 July 2016

Artigo de autoria de Paulo André, Managing Partner da Baker Tilly, publicado na revista "100 Maiores e Melhores" do jornal Região de Leiria.

 

Competitividade e Crescimento

Na sequência da conjuntura económica pouco favorável que Portugal viveu durante a última década, tem-se vindo a falar, cada vez mais, da importância da competitividade das empresas e do Estado.

Se por um lado, é sabido que as empresas mais competitivas têm maiores probabilidades de prosperar no mercado, é também do conhecimento comum que apenas um país competitivo poderá atrair e manter os maiores e mais estimulantes investimentos. A crescente globalização veio facilitar a deslocação das operações, garantindo às empresas a possibilidade de se instalarem em países que favoreçam a sua competitividade/rentabilidade.

Durante este mês, foram publicados e anunciados vários concursos e medidas, no âmbito do Portugal 2020, para apoiar o desenvolvimento e a inovação do tecido empresarial português. Entre estes, foi também anunciado o Programa Capitalizar, que fará chegar 1.100 milhões de euros às empresas.

É fácil perceber que estes apoios possibilitam um aumento considerável da competitividade de várias empresas portuguesas, pois destinam-se principalmente a ser utilizados em instalações produtivas (permitindo o reforço e diversificação da sua capacidade), ou em projetos de I&D, entre outros. No entanto, podem também ter o efeito contrário e perverso, de serem vistos como dinheiro fácil e, portanto, reduzir o filtro das empresas, no que toca à seleção de investimentos.

Por outro lado, tal como referido anteriormente, é importante compreender que para garantir a competitividade das nossas empresas, o país em geral e o Estado em particular também terão que ser competitivos.

A mais recente publicação do Índice de Competitividade Global, coloca Portugal na 38ª posição num ranking de 140 países, atrás da maior parte dos países da União Europeia. Este ranking é liderado por Suíça, Singapura e os Estados Unidos da América.

De acordo com os diversos indicadores considerados, os drivers da competitividade portuguesa são a qualidade das suas infraestruturas (23º do ranking), a edução superior e formação (26ª), a tecnologia disponível (26ª) e a inovação (28ª). Contrariamente, a elevada carga e complexidade fiscal, a burocracia, o reduzido acesso ao financiamento e o ambiente macroeconómico são os principais fatores a afastar os investidores de investimentos em Portugal.

Salienta-se um outro ranking, elaborado pelo “IMD World Competitiveness Scoreboard”, que compara a competitividade de 61 países e coloca Hong-Kong, Suíça e EUA no pódio, ficando Portugal no 36º lugar.

Em suma, acreditamos que a expressão “competitividade” deve continuar na ordem do dia, mas tendo presente que não nos devemos focar apenas na competitividade das empresas ou do país, mas sim em ambos.

Os programas mencionados acima visam resolver um dos principais problemas apontados, o acesso a financiamento. Refere-se inclusivamente que esta dificuldade resulta em grande medida de duas características típicas das empresas particulares: a sua pequena dimensão e a natureza familiar das mesmas. Ganhar dimensão é fundamental para atrair financiamento e aumentar a rentabilidade. Tal pode ser atingido com processos de fusão e/ou abertura de capital a investidores nacionais e estrangeiros (estes para além de capital, trazem também o acesso a novos mercados). Implementar uma gestão mais clara e profissional nas empresas familiares através de um protocolo familiar é também fulcral. A concretização destas situações facilitará por certo o acesso ao financiamento bancário. No entanto, é essencial garantir que os financiamentos são corretamente aplicados em projetos de valor acrescentado e capital intensivo, que acomodem salários acima dos atualmente praticados em setores exportadores ou de novas tecnologias.

Por outro lado, é ainda necessário efetuar esforços para garantir sustentabilidade macroeconómica e a simplificação do sistema fiscal e administrativo, nomeadamente, diminuindo a burocracia com que as empresas se defrontam no dia a dia. Estes dois aspetos são também fulcrais para atrair investimento estrangeiro, que catalise a competitividade nacional. 


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