
22 April 2016
Portugal, o próximo "start-up country"
Por Carolina Martins
In Jornal OJE (artigo original)
Portugal está cada vez mais nas bocas do mundo. E desta vez não se trata de dificuldades financeiras, maus ratings de dívida pública ou consternação política. Trata-se sim de inovação, empreendedorismo, start-ups e desenvolvimento económico. Há uns meses, uma reportagem da Bloomberg anunciava no cabeçalho que “Lisboa é a São Francisco da Europa”. Muitos considerarão uma comparação demasiado irrealista, mas a verdade é que não estaremos assim tão longe da realidade.
Já temos os elétricos, a ponte, o sol e o surf. Será que como incubadora de empresas estamos assim tão distantes? Portugal, e principalmente Lisboa e Porto, têm visto nascer, crescer e vingar várias start-ups. Especialmente nos últimos dois anos, o seu ritmo de crescimento e desenvolvimento tem vindo a aumentar. O país tem tido bons fundadores no que toca ao empreendedorismo. Várias start-ups portuguesas estão hoje entre as mais consagradas da Europa, como por exemplo a Uniplaces, a Feedzai e a Farfetch. Adicionalmente, organizam-se conferências e eventos sobre esta temática com cada vez mais frequência. Estes eventos promovem a exposição das empresas, e atraem investidores estrangeiros experientes em potenciar o desenvolvimento das start-ups, nacional einternacionalmente.
Os testemunhos deixados por muitos desses investidores transmitem claramente uma sensação de que estamos no caminho certo para desenvolver um ecossistema sustentável, e que a grande maioria destes investidores quer fazer parte deste ecossistema. A verdade é que não só de boas instalações e bons ambientes se cria um ecossistema favorável ao desenvolvimento e prosperação de start-ups. É necessário que o país seja capaz de atrair bom investimento estrangeiro, através de capitais de risco, business angels e outros empreendedores que contem já com histórias de sucesso. Envolver as pessoas certas é meio caminho para que uma boa ideia vingue.
Para o país, esta pode representar uma boa ajuda para a saída de uma das mais graves crises económicas e financeiras que ainda hoje atravessa. Um bom exemplo disso é o investimento estrangeiro que já chegou à economia portuguesa através destas micro e pequenas empresas. Só o programa de intercâmbio Austin-Portugal, que permite às start-ups portuguesas apresentarem as suas ideias na capital do Texas, teve um impacto direto de 60 milhões de dólares na economia portuguesa desde 2013. De acordo com os responsáveis do programa, este impacto foi consequência de aquisições de capital e de exportações para países como os EUA, a India e a China.
O novo Governo português não esqueceu a importância que um bom ecossistema empreendedor e inovador terá na economia portuguesa, e apresentou recentemente, o programa Startup Portugal. A ideia é de ampliar o sucesso da Startup Lisboa, grande responsável pelo reconhecimento da cidade como “start-up city”. O programa é constituído por quinze iniciativas, com o objetivo de responder às primeiras necessidades dos novos projetos/ideias e potenciar a internacionalização das mesmas.
As grandes empresas a operar em Portugal estão também cada vez mais atentas à relevância que as start-ups começam a ter no tecido empresarial português e a reconhecer a sua importância na recuperação económica. A mais recente parceria de sucesso, junta a Corticeira Amorim e a startup Ecochic, para o lançamento de flip flops de cortiça. Mas a ambição da multinacional não fica por aqui. Em 2014, criou a Amorim Cork Ventures com o intuito de fomentar o desenvolvimento de novas ideias e novos negócios que tenham como matéria prima principal a cortiça. A exemplo da Corticeira Amorim, várias outras empresas portuguesas, nomeadamente a EDP, têm apoiado start-ups. As grandes empresas e grupos económicos perceberam, que o mercado e os modelos de negócio estão a ser alterados ou repensados, graças ao aparecimento de novos concorrentes até agora ignorados. A integração de novos conceitos começa a ser imperativo para manterem o estatuto de líderes.
No final deste ano, Lisboa irá receber um dos maiores eventos relacionados com empreendedorismo e inovação, o Web Summit. O ministro da Economia garante que este evento será um “enorme palco” de atração ao investimento estrangeiro. Este evento em particular, atrai os mais importantes investidores internacionais, e promete ser mais uma grande ajuda na consolidação do ecossistema empreendedor em Portugal.
Assim, se dúvidas existissem, começa a ser claro que Lisboa reúne todas as condições de se tornar a São Francisco europeia.